quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

sábado, 6 de dezembro de 2008

Eu vi a cara da morte e ela estava viva



Não foi Pedro Cardoso, always looking on the bright side of death, nem as teses nietzschenianas de D. H. Lawrence, foi O Silêncio que me deu vontade de escrever esse post.
Apesar de, no final, ser tudo a mesma coisa.
O Silêncio é um tipo de cinema que sempre me atraiu, cinema fisiológico, o cinema de Ming-Liang, de Cronenberg, de Claire Denis, de Lucrecia Martel...
O prefácio de O Amante de Lady Chatterley é introduzido pela frase: "Estava seguro de que o instinto era superior à inteligência".
E Lady Chatterley não deixa de ser um O Anticristo romanceado.
É um livro-tese e Lawrence, o advogado do corpo.
Até a descrição física do guarda-caça bate com a dele, o guarda-caça do livro, diferentemente do do filme, é um homem ruivo, franzino, de saúde debilitada pós-tuberculose, mas, um leão.
O último Super-Homem, em meio à Inglaterra puritana, emasculada, da Revolução Industrial. Noventa por cento de ferro nas calçadas. Oitenta por cento de ferro nas almas. E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação é O Silêncio.
Sabe quando você se identifica fisicamente com um filme? rs
Da abertura, naquele vagão, à abertura molhada daquele vagão.
Me fascinou aquela construção orgânica, meticulosa, da morte e da vida, juntas, de mãos dadas e portas fechadas.


http://www.youtube.com/watch?v=WlBiLNN1NhQ

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Toda Mulher



Nada contra, né.
Super respeito fetiches alheios e esse nem é dos mais bizarros.
Inclusive, adoro a cara de "joinha?" dela na foto.
Mas sabe uma coisa que não dá?
Pessoas que começam frases com "Toda mulher...", arrepio.
E o que vem depois de toda mulher três pontos sempre é uma babaquice galopante.
Nossa rodrigueana Natália, pelo menos, nos deu uma margem de erro de 1%, já é alguma coisa.
Nesse mood toda mulher, comecei a ler Lady Chatterley, tô louca pra acabar logo e ver o filme da Pascale Ferran.

Fora, perto da clareira, construiu pequeno rancho de palha para abrigo dos faisõezinhos, e arrumou lá as gaiolas. Um dia, ao chegar, Constance encontrou duas galinhas sobre os ovos dos faisões, arrepiadas e orgulhosas da importante tarefa. Aquilo a abateu. Sentiu-se inútil, sem emprego na vida, nem mesmo fêmea como aquelas.
– Que era ela senão um pobre canteiro de terrores?

Às vezes me sinto assim, uma fêmea de proveta. Não sei explicar.
Não me refiro aos sinais exteriores, artificiais, de feminilidade, isso é mais vaidade mesmo, às vezes me sinto feia, relaxada, mal cuidada, mas não é isso. Nunca fui meiguxinha, princesinha, nem sou andrógina Thammy Gretchen, é outra coisa.
É uma feminilidade aniquilada, uma falta...
Uma vez tava defendendo a Binoche numa conversa, explicando porque gosto tanto dela, não só por ser uma grande atriz, a simpatia/empatia que tenho por ela, e disse algo como "pra mim, ela simboliza tudo o que há de feminino e bom" e eu poderia dizer a mesma coisa da Julianne Moore, feminino e bom.
É como se, diante delas, o meu feminismo desmoronasse, ficasse sem sentido.
Obsolência.
Superação tecnológica.


Pra ler ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=QjK_zT2fFVE

domingo, 2 de novembro de 2008

In pitch dark I go walking in your landscape



- quem no balanço do mar caminha num baque só
- cena Y: WTF
- filme argentino = Ricardo Darín, visto-que não há outro ator na Argentina, os outros machos/mais ou menos machos do filme devem ser uruguaios, chilenos or something.
Eu já comentei que acho os homens argentinos top gatos garotos marotos América do Sul (e não só)?
Assim, fora Lionel Topo Gigio Messi, Terror da Meia-Noite Tevez, etc, a seleção argentina deu uma caída, fato.
Mas estou fugindo ao tema.
O aspecto mitológico da cousa me lembrou do jantar na casa de um amigo semana passada, frequentador assíduo de chats eu-você-e-todos-os-encontros-casuais-os-ais-e-os-hão-de-ser, me disse que entrou com o nick "travesti novinha" e virou a Vitória Régia do chat.
Uma amiga fez lipo há uns meses, uma amiga dela tava de enfermeira, dormindo lá e tudo, fui visitar, conversa vai, conversa vem, elas me falaram que, profundamente entendiadas, entraram num chat de séquiço, tentaram de tudo, "peituda não sei o que" e nada. Daí botaram "trava alguma coisa" e bombaram, só sei que terminaram a noite dando sermão em homem casado (que, praticamente, era só o que aparecia).
Já dizia Caetano, a vida é assim: complexa e bonita, como os travestis.
Acho que entendi melhor isso depois desse filme, que não é sobre travesti, claro.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

No samba ela me disse que rala



Hobby: ler Vejas velhas no banheiro.

A estréia de Carlos Minc foi a mais espetacular entrada em cena desde Greta Garbo irrompendo atrás da fumaça do trem em Anna Karenina.
Impressionou o estilo, um estilo em que se combinam um pára-tudo-que-eu-cheguei e um às-favas-as-convenções, misturados às poses desinibidas, as roupas, o corte do cabelo e os bordões altissonantes. "Tremei, poluidores!"

Nem vi esse filme.
Entretanto, outra cena muito me aflige.
Só eu fiquei profundamente consternada ao ver Gretão rebolandinho em Mata Hari: http://www.youtube.com/watch?v=xQ5IKr0fyxw?

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Let's do it



Começarei este post com a citação de um autor anônimo:
"eu assistia emmanuelle no mudo, com as portas trancadas e no escuro."
(http://www.orkut.com.br/CommMsgs.aspx?cmm=28070615&tid=2521612508947410741&start=1)
A vida, nada mais.



Pois é, amigos, para perplexidade geral, o sexo não foi inventado na década de 60.
Nos extras de Possessão, Andrzej Zulawski filosofa: "O cinema foi inventado para penetrar a mulher".
L'homme aussi, pourquoi pas.
O fato é que não podemos subestimar o que, desde tempos imemoriais, pessoas nervosas fazem no escuro.
Semana passada assisti Polissons et Galipettes (algo como Brejeiros e Cabriolas), que reúne 11 curtas pornográficos, todos da década de 20 e ínicio da década de 30 .
Antes dos curtas, uma cena de menos de 1 minuto.
Em 1905, uma garota penteia os cabelos.
Poderia estar num filme do Truffaut.


Tem animação?




Tem tapenha?



Tem números primos?



But the Oscar goes to...


O Oscar vai pra esse tiozinho do primeiro curta.
Sim, ele está tendo uma ereção.
Sim, ele está usando um bigode postiço.
Sim, ele parece o Grouxo Marx.
Pura picardia.